Que tal falarmos sobre as fragilidades?

How ‘bout stopping eating when I’m full up?How ‘bout them ever elusive Kudo?Essas frases estão entre as primeiras frases cantadas por Alanis Morissette na canção Thank U de 1998. Em tradução direta seria como: Que tal eu parar de comer quando eu me sentir cheio? Que tal a sempre enganadora glória?Alanis teria composto essa canção e outras depois de uma tempo que passou na Índia, na letra Alanis se diz grata por muitos sentimentos e sensações como: Desilusão, terror, fragilidade, consequência e silêncio.Recordei dessa música, claro, em razão do tempo que vivemos. Vivemos um momento de desilusão, acreditávamos que estávamos bem, não pensávamos em nossas fragilidades, as fragilidades da vida, dos encontros e desencontros. Estávamos vivendo para encher a dispensa ou para apenas matar nossa fome? Mas qual era nossa fome? A consequência mostra que o mundo estava com fome de amor, carinho, valores fraternos. Mas ainda existem aqueles que resistem e persistem em acreditar que a felicidade depende mais do que carregam em cofres do que aquilo que consegue carregar no coração. De uma forma altruísta Alanis parafraseia… “o momento em que eu me desapeguei foi o momento em que eu tive mais do que poderia suportar”. Freud mencionou que o dinheiro é um objeto que se relaciona a autopreservação e obtenção de poder. Diante disso, o medo de perder riquezas diante de uma crise econômica iminente revela o temor inconsciente da aniquilação do ser, e a fragilidade humana/subjetiva de que se pode perder as forças e o poder. O valor do dinheiro em si nesta perspectiva não é merecido, mas passa a simbolizar algo real. Perder dinheiro significa instituir a “ausência”, mas a ausência não propriamente do objeto moeda, mas daquilo que ele pode comprar e que traz consigo uma completude, já que a ausência não é percebida no real.Em outro momento a cantora e compositora Alanis pergunta: “que tal recordar sua divindade?” Neste ponto me aproximo de Schoupenhauer que mencionou “Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração”.
Autor: Cleber Vernillo de Toledo




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